
Não digas nada. Peço que te mantenhas em silêncio. A minha cabeça anda à volta com tantas palavras, durante todo o dia, durante a noite.
Deixa que estas mesmas palavras se enlacem umas nas outras, se afastem e se entendam entre si. Preciso de as colar a um papel ou a um ecrã só porque estou farta de as ter a martelar-me na cabeça.
Ainda não sei se me apetece deitá-las fora? Se me apetece dizer-lhes que não quero dormir com elas?
Neste momento elas fazem parte de mim. Por muito que as enxote, elas persistem e vai insistindo a ficar por aqui e ali, elas vão sempre renascer e voltar a bailar na minha cabeça.
As vezes não fazem qualquer sentido! Quando, na sua pressa de serem as primeiras, se atropelam umas às outras e saem cá para fora em catadupa!
Quero ordena-las, dar-lhes a sensatez que sozinhas não conseguem atingir.
Que cansaço me provocam. Sinto uma vontade inexplicável de silêncio e de paragem. Preciso que tudo pare. Se tudo parar por instantes, as palavras poderão sossegar, irão silenciar-se?
Como queres que te responda a essa pergunta? Se palavras não se param. Olho à minha volta. Existem por todo o lado, entram-me pelos olhos dentro, obrigam o meu cérebro a assimilá-las, percebê-las, traduzi-las e dizê-las. Estou numa roda viva. Palavras, palavras, palavras......................eis-me de volta ao Silêncio.



O que tens que ter presente, e que és e vais ser muito amada …
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