
Saudade do teu olhar envolvente, da tua força que me enfraquece profundamente…
Saudade do desejo frenético do que não é e do que nunca vai ser…
Saudade da tua pergunta sussurrante que me sossegou “E se eu tiver saudades tuas?”
Mas sei que não tens, e eu também não. Mas tenho…
Porque ambos sabemos que não dá. E tu aceitas.
Ambos sabemos que o que temos (ou não) não podemos ter.
Não podemos, ou não devemos…
Sabemos o que tu queres, o que eu quero, o que nós queremos. Não é compatível.
Tento meditar sobre o que gira em torno do teu candeeiro que acende o tecto do teu quarto… Tento conceber cada pensamento que a tua almofada recebe da tua mente tão exagerada e irritantemente sincera… Porque me conheces e me confundes…
Mas penso-te todos os dias… Imagino o teu olhar de criança rebelde que me percorre a alma, um devaneio completo enquanto os meus lábios te tocam o pescoço sem me aproximar… Mas penso-te, mesmo. E procuro-te na multidão sabendo que nunca te vou encontrar, mas procuro-te mesmo sabendo que não estás…
Mataste-me com um beijo devorador… Desejo-te. Não te amo. (Esquecer-te-tei.)
E agora pergunto-te eu, e se eu tiver saudades tuas?
(E tenho…E muitas…)



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